segunda-feira, 12 de setembro de 2011

É PENA A MARÉ BAIXA...

Nos últimos dias testemunhamos a azáfama, a presença efectiva, de confrarias gastronómicas no programa as 7 Maravilhas da Gastronomia, numa demonstração de vitalidade na promoção e preservação de saberes e sabores das mais diversas terras portuguesas. Foi para isto que se formaram as confrarias, tal como Matosinhos possui a sua (Confraria Gastronómica do Mar), com 10 anos de existência e muitas das que vimos são mais novas do que a nossa (dizemos NOSSA porque fomos uma das três pessoas que a fundaram).
Daí a pena, melhor dizendo o desgosto, por não sabermos o que se passa com a Confraria matosinhense. Não teremos muita razão para fazer a pergunta, pois já nos demitimos da mesma, precisamente pelo seu marasmo que se ficava pela festa anual do Capitulo e com um ou outro almoço ou jantar, sem nos mesmos ser incluída qualquer razão subjacente aos estatutos e que é a defesa e a preservação da gastronomia ao mar e de que Matosinhos é uma montra nacional.
Tudo o que se tem feito tem sido por decisão e orientação da Câmara Municipal e por uma Associação de Restaurantes, recentemente criada.
Não foi para isto que se criou a Confraria. É preciso encher a maré. Nós, como matosinhense, temos pena.

domingo, 11 de setembro de 2011

HÁ 101 ANOS

Fará no próximo dia 21 de Setembro 101 anos que nasceu minha mãe. Na bonita terra duriense de Gouvães do Douro, a poucos quilómetros do Pinhão. Filha de pai incógnito, até aos dias de hora, certamente um senhor rico daquelas terras que despejou na pobre da cozinheira da casa a sua força certamente de patrão e homem.
Muito tarde (minha mãe morreu aos 52 anos) tentei procurar a origem de quem não lhe deu o nome. Só para saber. Sem sucesso, embora perceba que haja ainda por aquelas bandas que esconda algo que poderia fazer luz.
Várias vezes tenha ido a Gouvães do Douro. Apalpa as pedras, provo as uvas, mesmo cobertas de pó, visito a igreja em que a Eugénia foi baptizada há 100 anos, sinto como se algo me atraísse. Trouxe comigo - e todos os dias passo nela as minhas mãos - um bocadinho de terra diuriense.
Sei que irei morrer sem ter acesso a qualquer informação. Mas ainda quero voltar a Gouvães. Também é a minha terra.

TRISTEZA

Na última semana fui abalado pelo desaparecimento de um velho e grande amigo - o Magalhães Pinto. Naturalmente fui acompanhá-lo à última morada no meio duma multidão. Ao fim de mais de um ano de minha hibernação, de luto, pela perda do meu jornal, encontrei muitos amigos e alguns conhecidos. Ouvi muitos lamentos pela morte do "Matosinhos Hoje". Disseram-me que Matosinhos ficou sem voz. Mas foi isso que os matosinhenses quiseram. Levei 17 anos a tentar sensibilizar a gente da minha terra para assinar o "seu" jornal" ou para com ele colaborar com meios para a sua subsistência - a publicidade. Foram mais os que nos criaram problemas do que aqueles que me ajudaram. Houve até quem tinha a obrigação da ajuda e negou-a. O fim tinha de chegar e com ele o meu arrastar para uma condição social de quem de tudo se ter desfeito do seu valor financeiro e patrimonial. Mas fiquei vivo.
Sofri com a morte do meu amigo (quem gritou bem alto no último número do MH (ver gravura), ele que colaborou desde o primeiro jornal que saiu a 15 de Setembro de 1993.
Fiquei com dívida vários amigos, poucos, é verdade, mas alguns que não tinham praticamente obrigação de me ajudar. A 26 de Outubro irei responder em Tribunal (mais minha mulher e minha filha) por uma pequena dívida ao Estado. Certamente serei condenado, ao contrário de muitos que devem milhões e nem no banco dos réus se sentam.
É a vida. Mas esta também já não deve ter muito tempo para mais me castigar. A morte do Adélio Magalhães Pinto permitiu-me, mais uma vez, desabafar.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

"NÃO HAVERÁ AMANHÃ"

"A política, tal como é exercida na democracia parlamentar, ou corrompe ou expulsa."
Assim escreveu o saudoso Adélio no seu livro "Não haverá amanhã". em Novembro de 2010. Ele escreveu e soube porque o fez, porque sentiu na pele a "falsa democracia", o ostracismo por falar e não dever nada a ninguém, por nunca ter sido um dos eleitos do partido para o galarim não da política, mas do dinheiro fácil. E, assim, razão tinha ele para afimar que não haverá amanhã.
AÍ ESTÃO ELES!
Neste fim de semana, em Leça do Balio, juntam-se as tropas. As armas vão tilintar às portas do Mosteiro. Como há centenas de anos. E que façam barulho. E que se grite. De maneira a ouvir-se em Lisboa, em S. Bento e Belém. Pode ser que alguém se assuste. 

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

NÃO PARECE MUITO FÁCIL, MAS...
...ao olharmos para a vontade expresso no Governo, temos de colocar a arrumar a trouxa todos aqueles que teem mais de 70 anos, pois os medicamentos e cuidados médicos vão escassear ou custar muito caro; as urgências dos hospitais vão passar a ser "parques de campismo", com todos os doentes acampados, por falta de médicos; os medicamentos e tratamentos especiais vão ser artigos de luxo; e até as crianças não poderão ter acesso a todas as vacinas. Ora isto é a instituição da pena de morte, embora com uma sádica lentidão. Sobretudo quanto os velhos, melhor seria que fosse dada uma injecção e se chamasse logo o cangalheiro...

terça-feira, 6 de setembro de 2011

MORREU UM HOMEM, UM AMIGO E UM EXEMPLO
Fomos hoje surpreendidos com a morte repentina de um Homem - o Adélio Magalhães Pinto. Um amigo há mais de meio século. Um exemplo de quem venceu na vida a pulso. De empregado de balcão, a servidor de contabilidade, até aos bancos da Universidade, mas sempre a trabalhar. O ilho da Dona Glória enfermeira chegou a doutor. Mas não lhe chegou. Foi escritor admirado, com a publicação de vários. Estava a uma semana de apresentar mais um, uma obra de fôlego, no centenário do nascimento do eng. Fernando Pinto de Oliveira, que foi um presidente de Câmara de Matosinhos  leição no tempo em que se não era eleito. O Adélio, desculpem, o dr. Magalhães Pinto já não ouvirá as palmas pelo seu magnífico trabalho, mas ficará a obra que ele certamente lá em cima irá mostrar ao seu biografado.
Companheiros de muitas lutas pelas coisas de Matosinhos, sentimo-nos tristes e mais fragilizados. Deveria ir na frente dele, mas o Destino assim não quis.
À sua mulher, à viuva, à Sílvia de quem fomos testemunha dos seus primeiros dias juras de amor com o Adélio esperamos que consiga ter força para continuar a manter viva a imagem de quem partiu. A seus irmãos, igualmente pedimos para que o exemplo do seu irmão se mantenha aceso nas suas vidas. E coragem. A coragem que já nos vai faltando para ver partir os nossos amigos.
Até um dia destes, Adélio.
A Palavra de D. Manuel
Um dos motivos que me levou a quebrar o silêncio foi a palavra do "nosso Bispo", D. Manuel Martins, numa recente entrevista ao semanário "Expresso" e da qual retiramos se seguintes passagens que nos dão muito para meditar e para obrigar a agir.
O que mais o preocupa actualmente?
"Uma das coisas que me torturam mais é o desemprego. Eu tinha um vizinho que eram empregado bancário e foi despedido. Ficou tão destroçado que não disse nada a ninguém. À hora que costumava saír para o banco, saía de casa e regressava à hora que costumava regressar. Tinha vergonha até dos próprios filhos. É preciso ter sensibilidade para lidar com esta situações. Com todas estas privatizações e fusões - algumas até podem ser necessárias - já pensamos nos milhares de pessoas que vão ser despedidas? Com esta economia neoliberal e estas leis laborais iníquias, contra a dignidade e os direitos da pessoa, não sei como vai acabar. Uma pessoa está empregada hoje e amanhã dizem-lhe que não precisam dela. Agora diminuiram as compensações e o tempo de subsidio e preparam-se para amanhã não dar nada. Isto só vai piorar."
Não tem esperança numa melhoria?
"Quero acreditar. Mas tive muitas desilusões na vida. Quando foi a queda do Muro de Berlim acreditei que tinham finalmente acabado as guerras. Depois veio a dos Balcãs e já fiquei um bocadinho desiludido. Depois veio a União Europeia e eu acreditei que seria uma associação de iguais, em que os pequenos podiam valer tanto como os grandes, mas não é nada disso. Os (países" pobres, mesmo todos juntos, não são capazes de derrotar a vontade de um rico - da Alemanha ou da França. É uma Europa esfrangalhada., desorientada, que é a dois e não a 27. Ao fim e ao cabo, fomos associar-nos para engordar mais aqueles cavalheiros e nos minimizarmos a nós. Queimaram-se os campos, as vinhas, destruiram-se as produções, acabou-se com as pescas e tudo isso com que Cavaco embarcou, meio embebedado. Tudo foi pensado em função deles. <na altura até se podia pensar que isso era um bem, mas afinal havia intenções escondidas. Era apenas para se venderem os produtos deles."
O que podemos fazer?
"Se ao menos fôssemos capazes de voltar ao campo já não tínhamos fome. As crises às vezes são oportunidades... SE esta nos levasse de novo ao campo, não para ficar lá, mas para aproveitar a riqueza que nos dá, libertava-nos de muita importação."
A Igreja está a fazer o seu papel ou tem-se distanciado das pessoas?
"A Igreja faz festas muito bonitas e esquece-se de vir para o meio daqueles que sofrem. Tem acordado muito, mas atitudes que tem tomado são mais no sentido da assistenciazinha, da caridadezinha. Tem de ir mais longe.Ela mesmo tem que dar sinais."
Que tipo de sinais?
"Devíamos ser capazes de vender esse ouro todo que anda ao pescoço dos santos nas procissões.Os cordões e o anéis que o povo quer ver pendurados nos santos, para que prestam? 

Ora, então, bom dia!
Quem julgava que o Joaquim já cá não estava, aqui está a realidade: ele ainda mexe!
Estava para aqui no meu canto a recordar tempos recordados e nos quais era, a todo o momento, solicitado, esquecido dos muitos que me rodeava e deixaram de o fazer porque o "Matosinhos Hoje" se finou, arrastando o seu criador para o "já não conta", quando acordei para e realidade e afirmei: ó Joaquim tu ainda podes ser ouvido e discutido. E, por isso, aqui estou. Falarei do que me parecer devo falar neste mundo de confusão das coisas más e...das boas. Estas serão poucas, infelizmente. 
Vamos à luta porque parar é morrer. E sei que estarei perto disso, mas até não me colocarem a tampa, a minha voz soará na minha terra que, para mim, foi ingrata, mas a tal ingratidão responderei com a luta do que considero estar mal e, especialmente, por aqueles que vão ser esquecidos e desprezados.
Quero acabar os meus dias a lutar pelos meus ideais, pela minha gente.
Joaquim Queirós