quarta-feira, 12 de outubro de 2011

FIM DO CAMINHO

Poderá ser já ali ao virar da curva, mas também pode faltar uma distância que não sabemos calcular para chegar ao fim. A única certeza é que vamos chegar ao nosso destino: o fim do caminho.
Há muitos anos que caminhamos e quando demos início à caminhada quase não acreditávamos que ela um dia teria um fim. Por isso avançamos sempre, quantas vezes quase sem sabermos o terreno que pisávamos. Os passos dados nos primeiros anos trouxeram com eles a força para uma viagem longa. Fomos semeando alegrias, ambições e ilusões. Muitas vezes regadas com lágrimas de alegria e tristeza. Hoje estamos perto, pertinho da última curva. As pernas aqui e ali fraquejam. Temos a consciência que haverá quem nos queira afastar do caminho, mesmo nos derradeiros meses, anos, dias ou metros. Os velhos estorvam a correria dos mais jovens que julgam que o caminho será imenso e sem fim. Mas não, o fim é uma realidade. É bom que todos pensem nisso, mesmo quando os pulmões estão cheios de ar, o coração é de gazela e as pernas de girafa. É que o caminho que pisamos tem pedras, obstáculos. E não há ordem na chegada ao seu termo. Alguns ficam pelo caminho, num fim antecipado.
Nós estamos nas derradeiras voltas na caminhada. O fim já parece divisar-se, mas ainda fica muito para além da linha do horizonte. Vamos ver se lá chegamos o mais tarde que a noite imensa não nos leve embrulhada na grande nuvem cinzenta, aí sim, a caminho da meta que o nascimento nos determinou. É que a partida para o fim do caminho começa no primeiro momento de vida ainda nas entranhas maternas.


O FIM DO CAMINNO

O FIM DO CAMINNO

terça-feira, 11 de outubro de 2011

ESTE GAJO É O CULPADO DE TUDO

Custa-nos a admitir, mas realmente o Sócrates não devia ter ido para Paris, mas para longe, muito longe. Ele é culpado do que está a acontecer a Portugal, Grécia, Espanha, Itália, Irlanda, Inglaterra, França, Alemanha, Estados Unidos da América. O que este homem fez! Em pouco tempo deu cabo de tudo. O António Barreto que diz que Portugal já não existe, até conseguiu culpar o politico transmontano de ter governando 10 anos. Só faltou culpá-lo por ter caído o Estado Novo.
Não íamos muito à bola com o ex-Primeiro Ministro, mas que o senhor tenha de pagar pelas derrapagens financeiras internacionais, isso é demasiado. Lá que ele era amigo do Sarkozy e certamente até lhe ofereceu uns sapatos de tacão alto, isso é verdade, como não é mentira os rechonchudos beijos na senhora Merkel. E pagou a amizade com o pontapé nas finanças dos franceses e alemães, tal como do seu amigo Zapatero e do amigalhaço Berlusconi. Deu cabo da vida a toda. E não só aos portugueses. Julgamos que até ele foi culpado da derrota da equipa de Portugal não ter vencido na Dinamarca. O homem não prestou para nada.
Não deixou saudades como o Salazar, embora comece muita gente a falar no homem das botas. E atrás de mim virá...

CALDO ENTORNADO

Pois é, caros amigos e conterrâneos. Vem aí novo Orçamento de Estado e, segundo se diz, para além de muito mais dores de cabeça para os portugueses, também haverá decisões importantes, ou seja: com o mais provável aumento do IVA para os restaurantes para os 23% o imposto ficará ao mesmo nível dos artigos de luxo, como as jóias. Assim um caldinho de massa e feijões pagará ao Estado um imposto igual ao broche da D. Violante. E nada de reclamar. Assim é que há justiça social.

SAUDADE

É saudade, sim senhor. Esta foto que nos foi enviada pelo Luís Camelo fez-nos saltar as lágrimas. Não sabemos quantos anos tem, mas tem muitos. É uma foto da nossa segunda casa e muitas vezes a primeira - o Orfeão de Matosinhos.
Não sabemos quem teve a feliz ideia de fotografar, mas quem foi terá a nossa eterna gratidão. Ao olhar o retrato para além de recordarmos o enorme João Mello, uma das figuras de sempre de maior prestígio na instituição, em Matosinhos e no Banco Sousa, Cruz. Ao fundo o amigo de todos nós - o senhor Gonçalves - explorador do bar e um confidente dos mais novos. Era um avô.
Os outros a nosso lado, ainda os podemos abraçar todos os dias: o Alexandre e o Luís. Pela cronologia da vida nós seremos o primeiro dos três a ver a nossa cara colada na página da saudade.
Um abraço, amigos. Que saudade.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

SÓ O SÓCRATES NÃO TEVE SORTE...

Pois é. Um fez um buraco e apanhou um pontapé nos fundilhos empurrado pelo PSD e pelo CDS; o outro fez uma buracola, dada a dimensão do território e ganhou as eleições apoiado no PSD. Um foi um bombo das festa dos laranjinhas, toda a gente lhe bateu, até alguns dos seus correlegionários, enquanto o outro teve tempo para tudo, para perder alguns votos, mas ficar numa situação de vencedor e provocador. Fez a rábula dos óculos, chamando a todos os que nele não votaram ou discordam da sua actuação ruinosa, uns ceguinhos, e ainda teve a lata de afirmar que as dificuldades se irão ultrapassar com a ajuda do Primeiro Ministro e do Presidente da República. Dizemos nós: se calhar! O outro também chegou a dizer que depois de ter visto um porco a andar de bicicleta... Uma verdadeira ilha da "mamadeira" como afirmou o ganhador deputado Coelho!

domingo, 9 de outubro de 2011

VERDADEIRAMENTE IMPRESSIONANTE - 1872/2011

"Nós estamos num estado comparável apenas à Grécia: a mesma pobreza, a mesma indignidade política, a mesma trapalhada económica, a mesma baixeza de carácter, a mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros , nas revistas, quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, pode vir a ser riscado da Europa, citam-se em paralelo, a Grécia e Portugal" (Eça de Queirós, in as Farpas - 1872)

A DANÇA DAS AUTARQUIAS

Vem por aí uma ventania política dos diabos. Da muralha de Valença ao cume do vulcão da Ilha do Pico. O Governo, diz que por decisão dos estrangeiros da "troika", vai ter de eliminar ou agrupar muitas autarquias, sobretudo ao nível das Juntas de Freguesia. Não queremos dar palpites, pois já há muito tempo que defendo tal posição, não se entende que em sedes de concelhos, existem Juntas quase a pouco mais de 500 metros dos Paços do Concelho. Não se percebe, por exemplo, que tal aconteça nas cidades do Porto e Matosinhos. E haverá outros que só lucrarão com agrupamentos, pois também são "vizinhas do lado".
E ainda há-de aparecer algum a querer juntas Vila Nova de Gaia e Matosinhos ao Porto, aliás como sempre foi desejo dos adoradores de Vímara Peres.
Que vai haver confusão e luta de interesses políticos e sociais, lá isso estamos de acordo.
Já dizemos ao sistema eleitoral de uma só cor política para a governação, havendo uma única lista
a concorrer, por cada partido ou força politica, sendo presidente da Câmara o cabeça de lista e escolhendo estes os seus vereadores. E menos vereadores? Está claro que sim, pela razão da eleição de um elenco unicolor.
Vamos aguardar. Mas vem por aí crise.

TOMATES

Estava com a Ilídia a ver um dos mais que estafados técnicos de contas, que se dizem economistas e peritos em finanças, mas que não passam de uns mangas de alpaca, em que a grandeza e a pobreza do euro andava em bolandas nas palavras do mesmo, quando se dá um intervalo. E no mesmo, lá aparece a publicidade do Continente, anunciando a grande probabilidade de se comprar tomates, custando cada quilo 1,29 euros. De imediato, fizemos as contas e regressando ao escudo reparamos que o quilo dos mesmos representava cerca de 250 escudos! Como é que em meia dúzia de anos, o que custava 50 escudos, foi multiplicado por cinco?
E ficamos os dois a pensar, desligando o televisor: esta coisa da entrada no euro deu cabo da vida e não só aos portugueses. Podem-nos contar milhentas histórias, apresentar um cabaz de argumentos e até chamar de analfabetos de economia, mas ninguém nos afasta do que pensamos: fomos tramados e bem tramados. Mas o pior é que, agora, não podemos voltar para trás. E porquê? Porque não temos tomates.

sábado, 8 de outubro de 2011

UMA HISTÓRIA QUE POUCOS CONTAM...

Nos últimos dias tem-se escrito e falado muito sobre o saudoso treinador José Maria Pedroto que começou a jogar futebol no Leixões, nos juniores. Mas as conversas tem girado sobre o seu valor como treinador, afirmando alguns ter sido "o melhor de sempre". Não sabemos se foi ou não, mas também teve os seus momentos maus.
Fomos protagonistas no comunicar-lhe o seu despedimento, ou seja, da chamada chicotada psicológica. Estava ele nos seus primeiros tempos de treinador e treinava o Leixões.
O nosso Leixões, sob a sua direcção vivia um período periclitante, muito perto de baixar de divisão, depois de ter ido perder a Torres Vedras por 4-0, salvo erro. Já lá quase 50 anos.
Então a Direcção do Leixões, presidida por Francisco Mil Homens, tendo como vice-presidente para o futebol Crispim de Sousa, decidiu dispensar o treinador. Mas ninguém lhe queria dizer. Foi o autor deste apontamento, então secretário-geral do clube, que foi ao encontro de Pedroto e, nas escadas da sede na Rua de Roberto Ivens, lhe comunicou a decisão. Pedroto chorou ("não me façam isso"). Mas não havia volta a dar. A demissão foi um facto.
No outro dia, juntamente com Mário Maia, por incumbência da Direcção, fomos arranjar um novo treinador. E um jornalista amigo, António Pacheco, de "O Século", casado com uma senhora espanhola, indicou Ruperto Garcia, homem das Canárias, que havia deixado de treinar a selecção da Venezuela. Da descoberta à consumação do contrato foram as horas da vinda do avião.
E o bonacheirão do espanhol, tomou conta da equipa, e no domingo seguinte foi ganhar ao Seixal, por 3-0. E, assim, o Leixões safou-se da II Divisão.
Por ter conseguido tal, Ruperto Garcia escreveu uma pequena brochura com a sua biografia e numa das folhas dizia: "fui substituir Pedroto no Leixões e evitei que o clube descesse de divisão".
Anos mais tarde (Pedroto ficara zangado connosco durante mais de dois anos e colocou o Leixões em tribunal, executando até as chuteiras dos jogadores), quando nos encontrávamos, depois do fecho das Redacções dos jornais do Porto, com o Pedroto já na moda, volta a meia para o fazer saltar dos carris, alguém do lado atirava: "Ó Zé Maria, olha que eu vou buscar o livro do Ruperto Garcia". Entornava-se o caldo. Pedroto não gostava da recordação.
Mas, na verdade, acabaria por ser um grande senhor do futebol português que cedo nos deixou.
E, nós, apesar de todos os agravos que chegamos a receber e que iremos receber ao evocar este episódio, tudo perdoo, porque para Pedroto a sua primeira camisola foi o Leixões, depois o Lusitano de Vila Real de Santo António, seguido da passagem pelo Belenenses, a caminho do Porto, por 300 contos, e com o Leixões a ser esquecido. Tudo ao abrigo da Lei Militar, a Bem da Nação, por influência do adepto de Belém, chamado Américo Tomás.
Mas, de vez em quando, irei contar outras histórias. Algumas também com Pedroto. No Leixões.

LEIXÕES DEIXOU CAIR UMA LÁGRIMA

A bandeira do Leixões está a meia haste. O Leixões deixou caír uma lágrima. Morreu Albertino Castanheira, um cidadão que chegou a Matosinhos, ainda muito novo, vindo de Tábua, para se tornar industrial da restauração. Ver e amar o Leixões foi uma obra do momento. Foram anos e anos de dádiva. Sócio dedicado, dirigente abnegado, sempre pronto a atender tudo e todos. O futebol para ele era uma paixão, mas sempre a pensar no Leixões, esquecendo o Sporting da sua juventude. Jogadores, leixonenses, dirigentes e árbitros de todas as cores sentavam-se à mesa do restaurante Castanheira, na Avenida da República. Anos e anos. Nos momentos de grandeza e miséria desportiva. O Castanheira estava sempre atento.
Pois a morte levou-nos o grande amigo Albertina. Na manhã de hoje, no Hospital de Coimbra. Não resistiu mais aos seus padecimentos e à tristeza de passar a viver longe da "sua terra" e do seu clube. Vai a sepultar, amanhã, domingo, em Tábua.
No Leixões e na face dos seus amigos, que foram muitos, correrá uma lágrima.
Um exemplo de dedicação que nos foge. A seus familiares um voto de condolências e de saudade. Ao Leixões, que perdeu um dos leixonenses autênticos, sempre sem querer aparecer na fotografia, foge um dos seus pilares.
Albertino Castanheira tinha 74 anos.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

HA 70 ANOS

Faz precisamente hoje 70 anos que caminhamos, sozinhos, para a Escola.
Manhã cedo, a nossa mãe, receosa, deu-nos o pequeno almoço: uma caneca com café com leite e um pão com manteiga.
Já estava frio e nos pés calçava umas chancas compradas no João da Tulha, na esquina das ruas Álvaro Castelões e Primeiro de Dezembro. Era bonitas, com aqueles pregos amarelos.
De calções (tinha sempre dos melhores com retalhos que sobravam dos fatos que o meu pai fazia para os seus clientes) e camisola branca.
A saca era de sarapilheira colorida, que a minha mãe teria comprado na loja do Ruço, perto do Mercado.
Com algum receio, pois só conhecera a escola no dia da matricula, caminhei para a Escola dos Sinos. Sem conhecer ninguém. O meu melhor amigo, já desaparecido, o Vitor Azevedo, fora para a Escola do Adro, pois o pai dele era "irmão" do Senhor de Matosinhos.
Só lá caminhei pela rua Brito e Cunha, dei os bons dias ao fontanário vizinho da loja do senhor Magalhães, andei uns metros pela rua do Godinho e vi a Vitorinha à porta do seu estabelecimento, percorrendo depois a rua de Álvaro Castelões. Sentia-me já gente crescida e só junto da carvoaria, a dois passos da Escola é que parei para ganhar fôlego. À porta da escola muitos rapazes, a partir daí amigos de uma vida inteira, enquanto na Escola ao lado estavam também muitas raparigas.
Surgiria-nos, depois, à porta da escola o nosso professor. O senhor Paredes. Homem alto vestido na sua bata branca. Mãos enormes. E lá nos fez entrar e sentar. Eu fiquei numa carteira na terceira fila, juntamente com o Pinto.
Foram-nos dadas as boas-vindas e o professor Paredes disse-nos que a partir daquele momento começava uma nova vida para todos nós.
Ali estava o quadro negro, um grande armário com as medidas de capacidade, os pesos, e o aparato para medir a madeira. Alguns livros a parecerem uma biblioteca.
Eu na saca levava somente o livro da 1ª.classe, a lousa e as penas para escrever na mesma. O professor deu-nos um caderno para escrevermos as primeiras e outro os primeiros números, bem como uma caneta com aparo de aço que tínhamos de molhar num tinteiro que havia na carteira.
Ao fundo da sala a porta que dava para a residência do professor e recordamos ter visto aparecer uma senhora, muito forte, que mais tarde soubemos chamar-se D. Aninhas e que era esposa do senhor Paredes, ambos naturais de Terras do Bouro.
Ao lado da secretária de madeira já comida pelo tempo, alguns papeis, uma caderneta com os nossos nomes, enquanto o parapeito das grandes janelas estava pejado com vasos de diversas plantas. Bonito.
Lá estava uma cana encostada à parede e que algumas vezes nos acertou na cabeça, uma régua que muitas viria a estalar nas mãos dos meus companheiros (nas minhas só aconteceria, em quatro anos, duas vezes, por estar a falar), e uma velha flauta, com aspecto doentio, pois estava amarrada por vários fios azuis, instrumento que haveria de ser a delícia do sábados de manhã, quando tinhamos lazer e cantávamos ao som da flauta soprada pelos lábios grossos do professor: "os passarinhos, tão engraçados...".
O vasto quintal de recreio, todo florido com crisântemos, pois estávamos perto de Novembro e mais tarde soubemos que a D. Aninhas dava e oferecia as flores para o Dia dos Fieis Defuntos. No fundo do recreio uma grande figueira que era refúgio nos dias de calor e de humidade e que durante muitos anos seria ponto de referência como recordação de um Joaquim adulto.
Isto aconteceu a 7 de Outubro de 1941. Há 70 anos. Já muitos ficaram pelo caminho e tantas vezes os recordamos, bem como ao professor que foi um meu segundo pai.
Há 70 anos.





quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O DISCURSO DO PRESIDENTE DA REPUBLICA

Hoje comemorou-se os 101 anos da implantação da República. Numa hora em que a mesma vive num enorme estremeção e do qual ainda ninguém tem a devida dimensão na sua repercussão futura. Nós já não mandamos na Lusitânia. Não podemos dar um passo sem perguntar ao estrangeiro, sobretudo aos franceses e alemães se o podemos dar.
Todos os dias ouvimos as mesmas acusações e promessas. Dos políticos aos economistas. Então, estes, para cada um o seu paladar. Dos políticos já não esperávamos outra coisa.
O país vive (?) em desassossego. Anuncia-se que iremos defrontar um tempo em que se dará valor ao pão e ao tostão. Ficamos aterrorizados quando o Primeiro Ministro ou outro qualquer ministro fala. É só para tirar, para privar, para encolher.
É por isso que julgávamos que íamos ouvir da boca do Presidente, em hora tão própria, palavras de critica a muitos comportamentos de toda a gente, inclusivé dele quando Primeiro Ministro e o primeiro a dar o sinal de gastador do dinheiro que nos caía até pelo telhado, mas essencialmente de anúncio de "greve geral" à actividade dos partidos no que respeita à luta sem quartel, solicitando, impondo até (aqui a democracia musculada é necessária) para que se faça um interregno para o arregaçar de mangas para o trabalho e para a luta dos especuladores que todos os dias nos espreitam. Queríamos ouvir uma voz mais forte, motivadora, mas não uma voz comprometida. O país precisa de quem saiba dar um murro. Isto já lá não vai com punhos com botões dourados, nem com fanfarras. É com trabalho. Com verdade. Com amor ao País.
E isso não ouvimos. As palavras foram soltas, gastas, sem força.
Estamos a precisar de quem se faça ouvir e faça o país mexer-se.

VIVER ILUDIDO? PAREM LÁ COM ISSO!

Parece que só no futebol não há crise financeira. Há e, ao mesmo tempo, crise de decisão.
Esta situação é para nós uma prioridade sobretudo por nos tocar na pele e não conseguirmos digerir a sucessão de notícias sobre a falta de pagamento aos chamados profissionais de futebol do Leixões e, especialmente, à posição assumida pelo treinador, no final do jogo em Portimão, que quase justificou a derrota como uma forma de reacção ao não receberem salários.
Isto, na verdade, tem de acabar. E não só no Leixões.
Não há dinheiro. Isso é um facto. Não há dinheiro no bolso dos portugueses. E quem não tem dinheiro não tem vícios.
Os três ou quatro chamados grandes alardeiam os lucros e a posse de milhões, mas isso são tudo números escritos. O dinheiro vivo esse não existe. A banca é que tem criado os falsos ricos, mas também esta terá de dar um passo frente à realidade e não tardará que muita gente rica, como se ouve já por aí, que os milhões passem a dezenas de euros.
De resto, não há clube nenhum que tenha dinheiro. Tiveram, quando havia patrocinadores e as Câmaras e outras entidades que até lhes dava jeito para uns "pagar" o abrir de portas e para outros atenuar aos lucros. Mas agora tudo mudou. Espreitam-se todas as fugas e rapam-se os sacos e só se encontra cotão.
Por isso, o futebol vai ter de dar uma volta. Nada de ilusões. Teremos de viver com o que temos.
E no caso do Leixões, que não tem dinheiro para mandar cantar um cego, está rodeado por graves problemas, com a venda do Estádio a ficar para as calendas gregas, apesar de ter o orçamento mais baixo dos últimos 10 anos, mesmo esse tem dificuldade em cumprir. O clube é dos sócios, mas estes são muito poucos para aguentar. Uma terra com cerca de 170 mil habitantes tem somente quatro ou cinco mil sócios do Leixões. Entretanto, o FC Porto só em Matosinhos terá um número muito mais elevado de associados.
As empresas deixaram de ajudar porque não podem, tal como a Câmara, também ela asfixiada pela lei e pela necessidade de refrear os gastos.
Há pois que pensar seriamente no clube que poderemos ter. Como nós, todos os outros.
Eu também, em minha casa, gostaria de possuir muitas coisas, mas fico pela vontade.
Pensem nisso. Mesmo que não estejam de acordo comigo. Já tenho idade para aguentar e para não ter ambições.
Mas que queria ver verdade no futebol e sobretudo no meu clube, lá isso tinha, para além de não ser cúmplice em manter pessoas amigas envolvidos em camisas de onze varas, sem ajudas de quase ninguém, que só não batem com a porta para não serem acusados de coveiros. E ninguém tem o direito de lhes exigir que eles deixem no clube o desgaste da sua vida fisica e financeira.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

SERÁ DA IDADE? NÃO SE DEVE MENTIR

Eu até tenho alguma admiração pelo conceituado sociólogo, sem nunca me esquecer do que foi o seu percurso no Partido Socialista e, ainda, como ministro contestado da Agricultura. Mas isso já lá vai.
Agora, o que acabo de ouvir numa entrevista na SIC Noticias deixou-me de cara à banda. E o que foi que aconteceu? O dr. Barreto, comentando a desgraça económica, financeira e política que por aí vai, acusou desses malefícios os últimos 10 ANOS (!) da governação de José Sócrates. Nâo foram 10 anos, senhor doutor da camisa preta e a voz sussurrada. Foram seis (12/03/2005 a 21/06/2011). Ter-se esquecido de Santana Lopes e Barroso é mau de mais para quem se diz mestre em estatísticas.
Mas não se ficou por aqui o ilustre comentador. Tinha de dizer mal do Partido Socialista e pôr em dúvida os actuais dirigentes, dizendo que não conhece ninguém. Certamente nem os novos dirigentes o conhecem a ele.
E são estes senhores que tem guarida na TV para nos estragar a digestão. Deve ser da idade, não acreditamos que nos quisesse enganar.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

OBRIGADO, MANUEL

Caríssimo Manuel Cação:
Tenho acompanhado a tua amizade no facebook dando a conhecer os últimos suspiros do "Matosinhos Hoje". Não sabes como te estou grato. Embora fuja de trazer à recordação os 17 anos que vivi, não posso fugir à mesma, pois o final da minha vida ficou marcado com o ferrete da minha desilusão e até, quem sabe, da minha loucura.
Tenho consciência que fiz um trabalho que orgulhou a nossa terra. Não o fiz sozinho, mas com muitas boas vontades, por exemplo, como a tua.
Também sabes que perdi tudo o que tinha e não tinha e, com isso, alguma honra e até vontade de viver. Só me consola o facto de ter a certeza que fui sempre sério e defendi as opiniões mais diversas da gente da minha terra. Nunca deixei que me pegassem na mão para escrever, como muitos queriam.
É pena que, hoje, Matosinhos (e ultimamente lá se foi a Rádio Clube de Matosinhos como tinha ido por manobras políticas a Rádio Atlântico) esteja praticamente sem voz. Matosinhos esqueceu-nos. Agora abriu as portas aos grandes dos "media", já depois de ter ajudado um canal de televisão que, apesar de estar em Matosinhos e estender à mão ao Municipio, acaba por ser a voz do Porto -cidade e clube. O Joaquim Queiurós e o "Matosinhos Hoje" ficarão sepultados na vala comum da ingratidão. Vale-lhes gente como o Manuel Cação. Gente com recordação, gente grata.

MAS QUEM É QUE EMAGRECE?

O Governo, através do ministro Relvas, que aparece mais vez na TV que o seu Primeiro Ministro, não se cansa de assustar os funcionários da RTP que em 2012 irão 300 para o desemprego. Diz com convicção que a RTP está gorda e que terá de emagrecer.
O ministro deve andar equivocado. O que ele quererá dizer é que o presidente do Conselho de Administração da RTP, dr. José Guilherme Costa, matosinhense por adopção, pois é filho do saudoso Renato Costa, esse sim, como se mostra na foto, é que precisa de emagrecer. E muito. Umas vindas ao Porto e o matar a saudade das bandas da Boavista, Marechal Gomes da Costa, Foz do Douro e Matosinhos, e lá irão uns quilitos e, também, a ameaça do Relvas...

COISAS DO OUTRO MUNDO

Com a devida vénia, tenho a honra de transcrever neste espaço, um dos muitos escritos, no JN, do meu antigo camarada de profissão Manuel António Pina, relembrando aquela nossa inesquecível viagem ao Brasil como convidados VIP da Varig. Foi há 24 anos.
O que vamos transcrever e oferecer a quem não leu no JN, é mais um dos imperdíveis momentos do insigne jornalista e escritor.
"Depois de seis mil milhões de dívidas vivas e a rabear descobertas nas contas de Alberto João Jardim, alguém se pôs, de novo a mando da "troika", a espiolhar a base de dados da Administração Central do Sistema de Saúde e deu com 500 médicos mortos, alguns dos quais, segundo noticiou o "Público", continuam a passar receitas. A notícia é omissão quanto ao facto de os falecidos continuarem ou não a receber salários, embora seja admissível, tratando-se de mortos, que trabalhem só para aquecer.
Cadáveres adiados que procriam receitas é coisa de grande assombração, sobretudo num país onde tantos mortos se sentam quietamente há anos nas bancadas do Parlamento e em gabinetes ministeriais e institutos sem procriar nada que se veja a não ser despesa pública.
E atestados médicos, continuarão os saudosos extintos a atestar que Fulano e Sicrano "se encontram doentes e impossibilitados de exercer as suas funções?" E certidões de óbito, próprias e alheias".
O estranho caso dos médicos que exercem na tumba põe complexas questões metafísicas para além da da vida profissional depois da vida. Uma delas é a existência de farmácias com comércio com o Além que aviam receitas passadas por fantasmas, certificadas com vinhetas que seria suposto vigorarem no Aquém, a almas penadas que, cheias de olheiras, se materializam às horas mortas das noites de serviço permanente para comprar comprimidos pra o sono eterno."

sábado, 1 de outubro de 2011

OS ISALTINOS DESTA DEMOCRACIA

As últimas horas tem sido atordoadas com a prisão de Isaltino Morais, presidente da Câmara de Oeiras e, passadas poucas, solto, já que a juiza que o mandou prender se deve ter confundido. E os advogados bem pagos do edil oeirense depressa o tiraram do "centro de estágio da consciência".
Toda a gente comenta o caso e, ainda por cima, quando se ouvem cidadãos de Oeiras a louvar o presidente em causa pelo magnífico trabalho efectuado durante vários anos. Se fez bem as contas ou não, isso não interessa. A obra é que fica, nem que tenha sido erguida à custa de habilidades, falsidades e boa recolha de pingues para o bolso de quem mandava.
Isto é o resultado da democracia analfabeta que ainda temos. As pessoas perdoam todas as falcatruas desde que a cidade cresça e com ela os rendimentos de muita gente. Como cresce, isso é o que menos interessa.
Esta situação, infelizmente, multiplica-se pelo nosso país e não só nas Autarquias.
E, agora, quando uma grande percentagem de autarcas não poderão recandidatar-se, era interessante que o Governo ou até o Parlamento, mandasse comparar a a declaração de rendimentos à chegada e à partida.
Não será dificil e até porque o ambiente ajuda e muitas das fontes de enriquecimento estão sem gota de água: os empreendimentos urbanos, a dificuldade de vida de muitos empreiteiros.
A chamada troika bem poderia fazer um acrescento ao documento. Alguns dos partidos, se tal acontecesse, muito nervosos ficariam.
É que não há só um Isaltino. Há quem lave mais branco.