Foi há 37 anos. Foi a 8 de Agosto de 1975. O saudoso "O Comércio do Porto", tal como outros grandes jornais vivia à deriva. O momento político era uma seta envenenada às Redacções dos jornais. Vivia-se num ambiente confuso, sobretudo de oportunismo.
Lembro, nesta data, aquela tarde de verão quente, quando cheguei à Redacção, com o encargo naquela semana (havia uma escala política) de coordenar a secção de Política, quando vi uma multidão na Praça de D. João I. Vivia-se em constante desassossego, com problemas em vários locais, com rebentamentos até. Era preciso ver o que se passava. E recordo-me de me dirigir a um camarada de profissão e pedir-lhe para ele ir ver o que se passava, mas ele esquivou-se ao pedido, alegando "eu só entro às 4". Foi quando vi, de pé, absorto, o meu velho camarada Ercílio de Azevedo, já uma saudade, senhor de um estilo de português perfeito, mas que andava meio abandonado e atordoado pelo que se passava à sua volta. Pedi-lhe para ele ir ver o que se passava. E ele foi.
Passaram-se três horas quando ele regressou. Dirigiu-se a mim e disse-me: "não sei o que pode acontecer sobre o que vou escrever. Quiseram dar umas estaladas no Otelo e no Fabião". Eram os dois generais do momento revolucionário que tinham estado a almoçar na Brasileira.
Como não seria de esperar outra coisa, Ercílio de Azevedo escreveu o que viu e na minha frente colocou uma peça brilhante, à sua maneira, intitulada "Tripas à moda do Porto".
O que sei é que o trabalho do Ercílio foi impresso e mal a rotativa deu as primeiras voltas já havia gente à espera do jornal para ler a grande noticia do dia. A velha rotativa que dava umas voltas para tirar uns poucos milhares de exemplares, era uma hora da tarde e ainda rotava, resfolegando de esforço. Vendiam-se jornais a 100 escudos!
E, naquele dia, "O Comércio do Porto" tomou o pulso à gente do Porto e do norte do País. Era o Porto e o Norte que Pires Veloso defendia. Durante meses a tiragem do velhinho jornal andou sempre pela centena de milhar. Cumpria a sua missão. Mais tarde tudo mudaria com a nacionalização. E seria de degrau em degrau, sempre a descer. Até acabar com centena e meia de anos. Ainda hoje é saudade, tal como o Ercílio e aquele 8 de Agosto.
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
MATOSINHOS E LEIXÕES VEJAM O EXEMPLO DE GUIMARÃES E DO VITÓRIA
Depois de ter tomado parte e assistido à vergonhosa assembleia geral do Leixões e na qual a falta de orientação da mesma e o pior comportamento duma parte da reduzida assistência duma centena de associados do clube, ficou a pairar unicamente a preocupação e o ambiente de desinteresse da cidade que paira no ambiente leixonense e matosinhense. Ninguém percebe qual é a responsabilidade do clube e da SAD. Mas uma coisa sabemos: a SAD não pode voltar atrás ou desaparecer, pois, segundo a lei, o futebol do Leixões será inexoravelmente para a II Divisão da AF Porto. Há que haver dinheiro, mas há também necessidade de colocar cada coisa no seu lugar e saber qual a área abrangente de responsabilidade do clube e da SAD. Há, ainda, paralelamente com outras iniciativas, solicitar que sejam pedidas explicações aos associados Narciso Miranda e José Manuel Teixeira quais os contornos da formação da SAD e o conteúdo do protocolo assinado entre o Clube e a SAD.
Mas o mais importante é, nesta hora, tratar da salvação do clube e da SAD. É preciso e urgente dinheiro. Fala-se em capital estrangeiro, mas os dias vão passando, as notícias surgindo, os boatos também, mas, até ao momento em que escrevemos nada de concreto se sabe ou se vê.
Por isso, mostramos o maior interesse pelo que se está a passar em Guimarães com a subscrição de um investimento de 3 milhões no clube, através de um empréstimo de sócios e simpatizantes, com um mínimo de 50 euros, por um período de 10 anos, e com o investimento a partir de 5.000 euros, com direito a um juro de 7%.
Matosinhos e o Leixões podem fazer o mesmo. Haja gente para trabalhar nisso. Eu dou já o meu passo em frente. A Tertúlia, a Mafia a União Leixonense, em lugar de se desgastarem em acções que acabam por não resultar, devemos avançar no seguir dos bons exemplos. E Guimarães e o Vitória são o bom exemplo.
Poder-se-á estudar outras formas, mas a verdade é que só com o esforço de muitos - do Leixões e de Matosinhos - é que se conseguirá o resultado desejado: salvar o Leixões.
Mas o mais importante é, nesta hora, tratar da salvação do clube e da SAD. É preciso e urgente dinheiro. Fala-se em capital estrangeiro, mas os dias vão passando, as notícias surgindo, os boatos também, mas, até ao momento em que escrevemos nada de concreto se sabe ou se vê.
Por isso, mostramos o maior interesse pelo que se está a passar em Guimarães com a subscrição de um investimento de 3 milhões no clube, através de um empréstimo de sócios e simpatizantes, com um mínimo de 50 euros, por um período de 10 anos, e com o investimento a partir de 5.000 euros, com direito a um juro de 7%.
Matosinhos e o Leixões podem fazer o mesmo. Haja gente para trabalhar nisso. Eu dou já o meu passo em frente. A Tertúlia, a Mafia a União Leixonense, em lugar de se desgastarem em acções que acabam por não resultar, devemos avançar no seguir dos bons exemplos. E Guimarães e o Vitória são o bom exemplo.
Poder-se-á estudar outras formas, mas a verdade é que só com o esforço de muitos - do Leixões e de Matosinhos - é que se conseguirá o resultado desejado: salvar o Leixões.
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
POBRE PAÍS SEM VERGONHA
Segundo os últimos números, o gestor da Caixa Geral de Depósitos, Faria de Oliveira, ganha mais que a directora do FMI, Christine Lagarde. O português da Caixa ganha 526.000 euros, enquanto a francesa não vai além dos 378.000! É verdade que o gestor Faria é gestor num país rico e a pobreta da francesa tem de andar de país em país a contar tostões...
Mas há mais: a CGD encerrou a dependência na Ilha da Madeira na chamada Zona Franca, mas fez como o Pingo Doce e abriu uma agência nas Ilhas Caimão.
O nosso meigo ministro das Finanças não sabe destas coisas? Certamente que sabe porque ele é um homem bem informado. Nós é que vivemos num país de faz de conta...
Mas há mais: a CGD encerrou a dependência na Ilha da Madeira na chamada Zona Franca, mas fez como o Pingo Doce e abriu uma agência nas Ilhas Caimão.
O nosso meigo ministro das Finanças não sabe destas coisas? Certamente que sabe porque ele é um homem bem informado. Nós é que vivemos num país de faz de conta...
domingo, 5 de agosto de 2012
VOCÊ CONHECE A FUNDAÇÃO GRAMAXO DE OLIVEIRA
Quem de direito explicou aos portugueses qual o tamanho e o valor do formigueiros das Fundações existentes. Por nós, que há mais de 12 anos, tentamos saber algo sobre a existência da Fundação Gramaxo de Oliveira, oriundo da doação patrimonial de Irene Gramaxo de Oliveira (à vista três edifícios na rua de Brito Capelo e uma capela no cemitério de Leça da Palmeira), desconhecendo-se outros valores. A ditosa senhora fez a doação para que se aplicasse numa Fundação para acudir e proteger idosos, segundo documentos existentes e que temos em nosso poder fotocópias dos mesmos, visto sermos amigos de familiares.
Nunca tivemos resposta às nossas iniciativas, sobretudo no extinto jornal "Matosinhos Hoje". Melhor, tivemos reacções intempestivas por parte do administrador vitalício e de um outro jornal que decidiu contradizer, sem o conseguir.
Recentemente, ao fim de muitos anos, foram feitas obras de beneficiação nos três edificios, pois os mesmos mostravam degradação, isto já depois de ter sido anunciada a abertura da Fundação, publicados anúncios, mas as portas ficaram fechadas.
Que se passa, então. A Câmara nada quis saber, a Santa Casa da Misericórdia muito menos, muito embora a lei permita a intervenção. Mas nada. É Matosinhos em todo o seu afastamento das suas gentes e das suas coisas.
Agora vem a classificação oficial da Fundação Gramaxo de Oliveira, no semanário "Expresso". E qual é? Está no grupo das piores. Trata-se duma boa classificação, já que não funcional.
E não é só Matosinhos, é Portugal no seu melhor...
sábado, 4 de agosto de 2012
E SE ALGUÉM SE LEMBRA DE NÓS?...
É de ficar preocupado. Segundo os jornais, um deputado polaco, dirigiu ao Ministério dos Negócios Estrangeiros uma denúncia para se intentar uma acção sobre a Espanha para o pagamento de 430 mil ducados que o Rei Filipe II ficará a dever à Polónia, a rainha italiana Bona Sforza, pois os espanhóis só pagaram 10% até ao sec. XVIII. E, segundo a história, a rainha da Polónia morreria envenenada, afirmando-se que o autor do envenamento falava castelhano. E isto numa hora em que a Espanha não tem uma peseta, sequer, para mandar cantar um cego.
Isto faz- nos temer que o Brasil, a Índia, Angola, Moçambique, se lembrava algum dos seus deputados, de pedir contas a Portugal, não do que nos emprestaram mas do muito que de lá trouxemos sem autorização dos donos. E, por exemplo, se os gregos se metiam em brios e gente de boas quentes e fosse reclamar à Alemanha dos empréstimos feitos na Guerra Mundial.
Para nós era mau, pois não sabemos como fazer as contas. Isto é para sorrir, mas a atitude do polaco serviu para arrebitar as orelhas de muita gente. Vão-lhe chamar tolo, mas isso é que ele não é.
Isto faz- nos temer que o Brasil, a Índia, Angola, Moçambique, se lembrava algum dos seus deputados, de pedir contas a Portugal, não do que nos emprestaram mas do muito que de lá trouxemos sem autorização dos donos. E, por exemplo, se os gregos se metiam em brios e gente de boas quentes e fosse reclamar à Alemanha dos empréstimos feitos na Guerra Mundial.
Para nós era mau, pois não sabemos como fazer as contas. Isto é para sorrir, mas a atitude do polaco serviu para arrebitar as orelhas de muita gente. Vão-lhe chamar tolo, mas isso é que ele não é.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
AS FÉRIAS DO SENHOR PRIMEIRO MINISTRO
É verdade que um ministro e um primeiro ministro é gente de carne e osso, iguais ao osso sem carne do Zé. Com direito a ter férias, como se tem visto com Passos Coelho e a família a banhos na praia da Manta Rota, no Algarve. Nada a opor, pois ele merece descanso, mas os portugueses, na sua maioria, não podem, pois o Primeiro Ministro cerceou as possibilidades de o fazerem, tirando-lhes, à socapa, o subsídio que possibilitava uma maior largueza de bolso ao Zé. Assim a modos de um ataque de emigrantes moldavos ou romenos, peritos, numa maioria, na arte de surripiar.
Por isso, a nossa revolta ao vermos Passos Coelho a passar férias e a tentar dar um ar de humildade de costumes.
Numa hora destas, de aperto de cinto, Passos Coelho bem podia ter ficado por Massamá e ir dar umas banhocas à praia de Carcavelos.
Mas, realmente, não podiamos esperar de quem tanto nos enganou.
Por isso, a nossa revolta ao vermos Passos Coelho a passar férias e a tentar dar um ar de humildade de costumes.
Numa hora destas, de aperto de cinto, Passos Coelho bem podia ter ficado por Massamá e ir dar umas banhocas à praia de Carcavelos.
Mas, realmente, não podiamos esperar de quem tanto nos enganou.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
O LEIXÕES MAIS POBRE . MORREU MANUEL CARVALHO
Era um homem simples. Sempre no seu canto. Se possível sem querer que dessem pela sua presença. Só tive o prazer de estar com este homem uma vez, apresentado por Carlos Oliveira. Não acreditava que aquele fosse Manuel Carvalho, o homem e o empresário que se deu ao Leixões, não só com o seu trabalho mas com muito do produto do mesmo. Muito amigo foi ele do clube e um credor que não falava da sua disponibilidade.
Presentemente presidente da Assembleia Geral do Leixões Futebol SAD, pai da administradora Sílvia Carvalho, continuava a ser um homem distante das tribunas, mas sempre atento ao que o Leixões lhe pedia. Vai fazer muita falta ao Leixões e a Matosinhos.
Pois Manuel Carvalho, morreu. Tinha 70 anos. Muito havia a esperar deste cidadão como empresário e leixonense, embora fosse natural de Avanca, mas já tinha Matosinhos como sua terra adoptiva.
A sua filha Silvia e mais Familia, bem como ao Leixões, deixamos o sentimento da nossa solidariedade nesta hora dificil e transmitimos os nossos sentidos pêsames.
O Leixões empobreceu com a perda de Manuel Carvalho.
Presentemente presidente da Assembleia Geral do Leixões Futebol SAD, pai da administradora Sílvia Carvalho, continuava a ser um homem distante das tribunas, mas sempre atento ao que o Leixões lhe pedia. Vai fazer muita falta ao Leixões e a Matosinhos.
Pois Manuel Carvalho, morreu. Tinha 70 anos. Muito havia a esperar deste cidadão como empresário e leixonense, embora fosse natural de Avanca, mas já tinha Matosinhos como sua terra adoptiva.
A sua filha Silvia e mais Familia, bem como ao Leixões, deixamos o sentimento da nossa solidariedade nesta hora dificil e transmitimos os nossos sentidos pêsames.
O Leixões empobreceu com a perda de Manuel Carvalho.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
ATENÇÃO, VELHOTES, DEPOIS DA PROCURA DA MORTE LENTA, COM OS MEDICAMENTOS E TAXAS MODERADORAS, VEM AÍ A POSSIBILIDAEDE DAS REFORMAS IREM PARA O GALHEIRO!
Eu sou um destes. Já apanhei no lombo com a mudança nos medicamentos e taxas moderadoras. Tudo a apontar para mandar os velhos a apressarem-se a chamar o cangalheiro. Quanto menos, diz quem manda, melhor. Agora vem o anúncio da desvalorização de 10 milhões no Fundo de Segurança Social, ou seja da "almofada" que nos ia garantindo a subsistência mensalmente. Ou seja, morria-se de doença ou desastre, agora vamos morrendo com o empurrão do Governo. Eu, por mim, já estou por tudo. Já cheguei aos 78. É muito tempo. Não tarda que o Teixeira tenha mais um para encaixotar. E o Governo agradece.
terça-feira, 31 de julho de 2012
PODER LOCAL: QUE FUTURO?
O Poder Local democrático para além da Liberdade de expressão, foi, quanto a mim, a maior conquista de Abril. Mas sempre lhe coloquei uma reserva: estou convencido, embora a revolução e evolução que se regista por todo o Portugal, que com metade do investimento efectuado se teria feito o dobro. Estragou-se muito dinheiro em investimentos megalómanos, deu-se palco a quem o não merecia, por falta de preparação para subir ao mesmo, partidarizou-se num processo negativo de oportunismo. Içou-se ao poder quem falou mais alto, quem agitou mais bandeiras ou colou mais cartazes. E o resultado está à vista.
Construiu-se muito, há pavilhões multi-usos por todo o lado, há uma proliferação de piscinas, de pavilhões, habitação social, na maioria dos casos mal distribuida, bastando para o parque automóvel na envolvente, rotundas, se possível, três ou quatro por cidade ou concelho, mas muitas dessas terras, não cuidaram do saneamento básico, pois esse não dá votos, já que fica enterrado. O dinheiro da Europa fez perder a cabeça da maioria das Câmaras, as quais se esqueceram de que teriam de investir 30% e não tinham estaleca para isso. Veio o natural endividamento. E aí está o Poder Local, em hora de crise, de pantanas, algumas autarquias sem dinheiro até para comprar papel higiénico...
No meio desta derindana de desmandos e desorientação, de penacho político, só uma maioria de presidentes de Juntas de Freguesia, sobretudo no interior, é que tem sido gente que percebeu o mandato de Abril. E como são escrutinados dia a dia, ao pé da porta, não atravessando o território da sua jurisdição em automóveis topo de gama, lá vão cumprindo. E como cumprem, há em campo uma perseguição para que estas autarquias sejam banidas do Poder Local. Persegue-se, para matar.
E, no meio desta confusão, apetece-me estacionar na minha terra e meditar no futuro que lhe estará reservado, tendo em conta o que se vê, o que se lê e o que ouve. No Partido que há 36 anos governa, sentem-se fissuras, já que o Partido nunca existiu com a força que lhe era dada pela presença no poder, pois houve sempre, por vontade de quem mandava, que não deveria aparecer nova gente e gente nova, numa demonstração de alternância democrática. E os resultados da má escola estão à vista. Ouve-se o borbulhar o desejo de mando de quem nunca teve estaleca para isso, mas a força dos votos, o caciquismo anda na praça, prenunciando um amanhã que não deixará de envergonhar quem se envolver na luta eleitoral. Mas tal não acontece no partido líder, mas também na oposição, sobretudo na maior, na qual também se contam espingardas para alcançar o poleiro. Nem as derrotas constantes servem de lição.
Depois, a envolver esta situação, há a falta de dinheiro e o anunciar de uma amanhã ainda com mais dificuldades. Quem vier a surgir no Poder não terá vida fácil, não só na minha terra, mas em 99,9% do país.
Vamos todos ficar a olhar para as obras feitas - umas bem e outras muito mal. E não haverá dinheiro para mais nada. O amanhã será negro, no valor nos cofres e no valor nas pessoas.
Construiu-se muito, há pavilhões multi-usos por todo o lado, há uma proliferação de piscinas, de pavilhões, habitação social, na maioria dos casos mal distribuida, bastando para o parque automóvel na envolvente, rotundas, se possível, três ou quatro por cidade ou concelho, mas muitas dessas terras, não cuidaram do saneamento básico, pois esse não dá votos, já que fica enterrado. O dinheiro da Europa fez perder a cabeça da maioria das Câmaras, as quais se esqueceram de que teriam de investir 30% e não tinham estaleca para isso. Veio o natural endividamento. E aí está o Poder Local, em hora de crise, de pantanas, algumas autarquias sem dinheiro até para comprar papel higiénico...
No meio desta derindana de desmandos e desorientação, de penacho político, só uma maioria de presidentes de Juntas de Freguesia, sobretudo no interior, é que tem sido gente que percebeu o mandato de Abril. E como são escrutinados dia a dia, ao pé da porta, não atravessando o território da sua jurisdição em automóveis topo de gama, lá vão cumprindo. E como cumprem, há em campo uma perseguição para que estas autarquias sejam banidas do Poder Local. Persegue-se, para matar.
E, no meio desta confusão, apetece-me estacionar na minha terra e meditar no futuro que lhe estará reservado, tendo em conta o que se vê, o que se lê e o que ouve. No Partido que há 36 anos governa, sentem-se fissuras, já que o Partido nunca existiu com a força que lhe era dada pela presença no poder, pois houve sempre, por vontade de quem mandava, que não deveria aparecer nova gente e gente nova, numa demonstração de alternância democrática. E os resultados da má escola estão à vista. Ouve-se o borbulhar o desejo de mando de quem nunca teve estaleca para isso, mas a força dos votos, o caciquismo anda na praça, prenunciando um amanhã que não deixará de envergonhar quem se envolver na luta eleitoral. Mas tal não acontece no partido líder, mas também na oposição, sobretudo na maior, na qual também se contam espingardas para alcançar o poleiro. Nem as derrotas constantes servem de lição.
Depois, a envolver esta situação, há a falta de dinheiro e o anunciar de uma amanhã ainda com mais dificuldades. Quem vier a surgir no Poder não terá vida fácil, não só na minha terra, mas em 99,9% do país.
Vamos todos ficar a olhar para as obras feitas - umas bem e outras muito mal. E não haverá dinheiro para mais nada. O amanhã será negro, no valor nos cofres e no valor nas pessoas.
ADEUS, AMIGO DINIZ
Perdi mais um amigo. Morreu o Diniz. Não tenho a fotografia dele para encimar esta prosa de adeus, mas fui buscar a chama viva que nos uniu durante muitos anos. O Zé Diniz Sampaio Rocha, foi o técnico que visitou milhares de casas na nossa terra, sempre atento às chamadas das donas de casa para afinar o fogão, o esquentador de águas ou o aquecedor de ambiente. Matosinhos inteiro conheceu aquele sorriso simpático, a par da sua competência. Milhares e milhares de quilómetros que ele percorreu pelas ruas do concelho. Toda a gente o conhecia e ele conhecia toda a gente. O Gazcidla com quem ele trabalhou, desde o tempo em que as pessoas julgavam que se tratava de um detergente e, depois, durante época - e ainda hoje - foi um dos factores de economia dos portugueses.
O Zé Diniz foi um dos responsáveis. Era, igualmente, um bom companheiro de trabalho. Eu tive amigos e tenho amigos, mas o Zé Diniz era daqueles mesmo amigos sinceros.
Gostava de dar o seu pé de dança e acabaria por ser, muito tempo, um bom baterista e animador do conjunto musical do Orfeão de Matosinhos. Todos gostavam dele.
Pois o Zé Diniz deixou-nos, aos 75 anos. Vi-o, pela última vez, há um mês e do outro lado da rua disse-nos adeus e mandou-me o seu habitual sorriso. Pela última vez.
Só tive conhecimento do seu falecimento muito tarde, já sem ter hipóteses de lhe levar uma flor.
Perdi um amigo. Mais um.
O Zé Diniz foi um dos responsáveis. Era, igualmente, um bom companheiro de trabalho. Eu tive amigos e tenho amigos, mas o Zé Diniz era daqueles mesmo amigos sinceros.
Gostava de dar o seu pé de dança e acabaria por ser, muito tempo, um bom baterista e animador do conjunto musical do Orfeão de Matosinhos. Todos gostavam dele.
Pois o Zé Diniz deixou-nos, aos 75 anos. Vi-o, pela última vez, há um mês e do outro lado da rua disse-nos adeus e mandou-me o seu habitual sorriso. Pela última vez.
Só tive conhecimento do seu falecimento muito tarde, já sem ter hipóteses de lhe levar uma flor.
Perdi um amigo. Mais um.
sábado, 28 de julho de 2012
A PORCA DA POLÍTICA
Dizem que são políticos e, portanto, homens que querem lutar pela melhor e exemplar vida do povo. Mas é o que dizem, porque não prática o exemplo é o pior. E se o povo pensasse duas vezes, fazia-lhes o tradicional manguito do Zé.
E porquê esta ladaínha? Muito simples e triste.
A Câmara comemorou os 60 anos da inauguração do Mercado Municipal, uma obra ímpar para a época, sonhada depois da II Guerra Mundial.
Foram homenageados postumamente os autores do projecto e o construtor do edifício, por acaso, um cidadão de Matosinhos que tanto deu à sua terra e, só agora, é que quem de direito se lembrou de homenagear.
Presentes o presidente da Câmara e vereadores. Presentes, também, os presidentes da Junta de Freguesia de Lavra (70% dos trabalhadores que construiram o Mercado eram oriundos daquela freguesia) e Senhora da Hora. Estranhamente a ausência do presidente da Junta de Matosinhos. E estranhamente porque parece ter estado presente, horas antes da cerimónia, a distribuir lembranças e uma flor aos operadores do mercado.
Um autarca que, recentemente assumiu responsabilidades no partido em que está inscrito, apesar de há uns anos atrás, depois do "Caso da Lota", ter sido proposta a sua demissão, o que nunca parece nunca ter acontecido, tendo somente sido outros dois destacados militantes (Narciso e Seabra) castigados, por impedidos a candidatarem-se à presidência da Câmara. Uma tristeza num baralho de coisas porcas.
É assim a política. Mas o povo quer que política seja uma sujeira? Parece.
E porquê esta ladaínha? Muito simples e triste.
A Câmara comemorou os 60 anos da inauguração do Mercado Municipal, uma obra ímpar para a época, sonhada depois da II Guerra Mundial.
Foram homenageados postumamente os autores do projecto e o construtor do edifício, por acaso, um cidadão de Matosinhos que tanto deu à sua terra e, só agora, é que quem de direito se lembrou de homenagear.
Presentes o presidente da Câmara e vereadores. Presentes, também, os presidentes da Junta de Freguesia de Lavra (70% dos trabalhadores que construiram o Mercado eram oriundos daquela freguesia) e Senhora da Hora. Estranhamente a ausência do presidente da Junta de Matosinhos. E estranhamente porque parece ter estado presente, horas antes da cerimónia, a distribuir lembranças e uma flor aos operadores do mercado.
Um autarca que, recentemente assumiu responsabilidades no partido em que está inscrito, apesar de há uns anos atrás, depois do "Caso da Lota", ter sido proposta a sua demissão, o que nunca parece nunca ter acontecido, tendo somente sido outros dois destacados militantes (Narciso e Seabra) castigados, por impedidos a candidatarem-se à presidência da Câmara. Uma tristeza num baralho de coisas porcas.
É assim a política. Mas o povo quer que política seja uma sujeira? Parece.
sexta-feira, 27 de julho de 2012
RESPOSTA A QUEM NÃO SABE OU É PINÓQUIO
Um dia destes assisti a uma discussão sobre a influência maioritária que houve do FC Porto, em Matosinhos. Mentira. Só a partir dos anos 80 do século passado é que tal aconteceu, naturalmente por força dos êxitos do clube, sobretudo os internacionais. De registar, também, a emigração portista para dormir em Matosinhos.
Antes daquela época, predominavam na nossa terra os sportinguistas, com quartel-general na Confeitaria Oriental. Depois, vinham os belenenses e os benfiquistas. Portistas, eram alguns.
De recordar os campeonatos então existentes, no Campo de Santana, entre as fábricas de conservas, no qual havia o Sporting e o Belenenses. Não me recordar de ver uma equipa do Benfica ou do FC Porto.
Hoje é que tudo é diferente. Segundo os números, em Matosinhos há mais associados do FC Porto do que do Leixões. O que é triste.
Nesta conversa com os "bloguistas" só queria responder aos portistas que se julgam sempre os maiores pelas bandas de Matosinhos. Aqui, apesar de tudo, é terra do Leixões, do Leixões que foi um dos fundadores da AFPorto, juntamente com o Boavista (clube da aristocracia da zona do Bessa e de Vila Nova de Gaia). O FC Porto que se diz fundado pelos comerciantes, sobretudo merceeiros, no século XIX, segundo descoberta do famoso Rui Guedes, uma descoberta que deixa muitas dúvidas, mas que os portistas aceitaram. Sem esquecer o Salgueiros, clube do povo, e o célebre Académico, de gente bem, o primeiro clube a ter um estádio relvado (Estádio do Lima), mas também o primeiro a ser quase esquecido por ter a perna curta para a passada larga, tal como acontece hoje a muito boa gente.
Fica a ajuda para a discussão.
Antes daquela época, predominavam na nossa terra os sportinguistas, com quartel-general na Confeitaria Oriental. Depois, vinham os belenenses e os benfiquistas. Portistas, eram alguns.
De recordar os campeonatos então existentes, no Campo de Santana, entre as fábricas de conservas, no qual havia o Sporting e o Belenenses. Não me recordar de ver uma equipa do Benfica ou do FC Porto.
Hoje é que tudo é diferente. Segundo os números, em Matosinhos há mais associados do FC Porto do que do Leixões. O que é triste.
Nesta conversa com os "bloguistas" só queria responder aos portistas que se julgam sempre os maiores pelas bandas de Matosinhos. Aqui, apesar de tudo, é terra do Leixões, do Leixões que foi um dos fundadores da AFPorto, juntamente com o Boavista (clube da aristocracia da zona do Bessa e de Vila Nova de Gaia). O FC Porto que se diz fundado pelos comerciantes, sobretudo merceeiros, no século XIX, segundo descoberta do famoso Rui Guedes, uma descoberta que deixa muitas dúvidas, mas que os portistas aceitaram. Sem esquecer o Salgueiros, clube do povo, e o célebre Académico, de gente bem, o primeiro clube a ter um estádio relvado (Estádio do Lima), mas também o primeiro a ser quase esquecido por ter a perna curta para a passada larga, tal como acontece hoje a muito boa gente.
Fica a ajuda para a discussão.
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Ó ZÉ, NAO SE ARRANJA NINGUÉM DE JEITO?
É verdade, caro Zé, não se arranja ninguém de jeito para feitor da nossa quinta. O Pedro manda-nos lixar e agora só quer tratar da dieta e da melena; o Seguro está muito verde e parece que nunca mais vai fazer 18 anos; o Jerónimo tem calos nas mãos, mas também já tem calos na cabeça; o Louçã sabe muito, mas é só garganta; o Portas, credo, credo, credo. Precisamos que tu descubras alguém que se saiba da poda e que ponha o quintal a dar uma colheita de jeito. E quanto antes.
HÁ 60 ANOS MATOSINHOS TEM ESTA JÓIA
Foi há 60 anos, Julho de 1952, que o general Craveiro Lopes veio inaugurar o Mercado de Matosinhos. Uma obra emblemática e na altura na Península Ibérica. Foi construído por um Homem de Matosinhos - Luís José de Oliveira - que a nossa terra nunca consagrou como merecia, pois para além de um profissional da maior competência, foi figura de grande relevo na área comercial, social e cultural. Finalmente, vai ter uma pequena homenagem. No próximo sábado, pelas 10 horas. Eu que serei um dos 20 ou 30 que ainda estão vivos e que na obra do Mercado colaborei, lá estarei a reviver todos aqueles que fizeram tão grande obra.
terça-feira, 24 de julho de 2012
A MULHER DOS TOMATES
A deputada Isabel Moreira, da bancada do PS, mostrou ser uma mulher com eles no sítio, ou seja, com os músculos democráticos em plena pujança. Quis fazer uma declaração pessoal na Assembleia da República. A presidente Assunção Esteves não permitiu! Isabel bateu com a porta, traída por ideias que quem dirige a AR diz serem democráticas. E ninguém se levantou a protestar. Uma mulher, uma filha, a quem seu pai, Adriano Moreira, terá obrigado a um sorriso de satisfação. Mesmo vinda da Esquerda.
O POVO NÃO É PARVO PARA ACREDITAR
Passos Coelho no lauto jantar de fim de ano na Assembleia da República, apresentou-se mais magro e de cabelo aparado. Disse que anda a fazer dieta, mas comeu rosbife e um gelado com frutos vermelhos a enfeitar. Não dá para engordar, mas dá para falar tentando enrolar o povo que o ouviu no jantar e fora dele. Disse o PC "que se lixem as eleições". Como se alguém acreditasse nisso, muito embora muitos dos presentes tenham perdido o apetite e cá por fora Portas e toda a sua prole política também não tenham gostado da ementa do chefe dos laranjas. E o que terá pensado a oposição. Certamente o mesmo: que se lixem as eleições. Pois Seguro não está seguro nessa coisa do povo votar...
segunda-feira, 23 de julho de 2012
GUERRA NO BOXE
O boxe do Leixões tem uma madrinha "KO" na música. Trata-se de Rita Guerra. Na foto ela está com a gloriosa camisola vestida, ao lado de seu irmão e atleta da modalidade Pedro Guerra e do mentor da mesma Fernando Peneda. Ora digam lá se a bonita camisola não fica bem no corpo da famosa cançonetista. Ela esteve a assistir ao Leixões-Rio Ave e conversou com o presidente Carlos Oliveira. É que o Leixões não é só chuto na bola. E pode ser que a Rita seja necessária para um soquito a alguém...
É PRECISO TER LATA
Realmente é preciso ter lata! No actual conhecimento das contas do 1º semestre, o Governo atirou foguetes e apanhou as canas porque as despesas com pessoal tiveram uma descida. Ora não podia acontecer outra coisa. O corte do subsidio de férias aos funcionários públicos e pensionistas só podia resultar em tal. Ora governar, poupar, à custa de quem trabalhou ou já trabalhou, é fácil para quem corta, mas é desesperante para quem sofre o corte.
Sofre-se duas vezes: com o roubo do dinheiro do bolso e com depois a alegria de quem nos roubou. Grandes políticos. E não há quem os corte do mapa!
Sofre-se duas vezes: com o roubo do dinheiro do bolso e com depois a alegria de quem nos roubou. Grandes políticos. E não há quem os corte do mapa!
sábado, 21 de julho de 2012
DIFICILMENTE HAVERÁ IGUAL
Foi hoje a sepultar o professor. José Hermano Saraiva, um nome controverso para os políticos nascidos do 25 de Abril, tal como o fora para uma grande maioria do Estado Novo. Um Homem de Portugal, um Homem da História e que a sabia contar como ninguém. Dificilmente haverá um comunicador igual. Só Agostinho da Silva esteve perto dele, tal como Vitorino Nemésio.
O professor Saraiva acabou no mundo dos vivos, mas continuará, graças à ciência, a poder estar no serão dos portugueses através da TV na reprodução da sua memória. Pena que muito poucos se foram dele despedir. Hipócritas e falsos portugueses.
O professor Saraiva acabou no mundo dos vivos, mas continuará, graças à ciência, a poder estar no serão dos portugueses através da TV na reprodução da sua memória. Pena que muito poucos se foram dele despedir. Hipócritas e falsos portugueses.
DESTA VEZ ESTOU DE ACORDO COM ELE
Já conheço Pinto da Costa há 50 anos. Convivemos e discordamos como delegados do Leixões e FC Porto, na Associação de Patinagem, convivemos no mundo do futebol, deixe de o considerar desde que "ordenou" a agressão a meu filho no Estádio do Restelo, mais me afastei quando ajudou o Leça e não "gostava nada" do Leixões, afastei-me mais nas guerras e no prejuízo moral que tem dado ao futebol e desporto nacional, mas, neste momento, faço um acto de contrição, pois estou com ele quando afirma que se "o Governo ordenasse um imposto sobre as noticias falsas que proliferam nos jornais, estava salva a pátria", ai, aí estou com ele. Como velho e reformado profissional da comunicação social, realmente sinto vergonha pelo que leio. Tem razão, caro Pinto da Costa. Mas só hoje.
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